Se acreditamos que basta um olhar, não há palavras mas inspirações desse olhar...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

São tudo palavras
Tão deliciosamente
Desenhadas pela boca
Que as sussurra.
Tão venenosamente
Pensadas pela razão
Que as processa.
São tudo palavras
Excepto o que bate
Se bater, claro.
Se não bate, não vive,
Sobrevive.
Portanto, bata desenfreado
Senhor, meu coração,
Meu poeta, sem palavras.

domingo, 25 de abril de 2010

Um dia encostar-te-ás a mim
Adormecido nesse encanto
Que buscas infinitamente,
E eu pedirei à lua um plantão
Para te ter todas as noites
Sonho meu, sonho meu.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Hoje sinto-me uma alma submersa
Encostada ao abismo do submundo
À procura do que não se encontra
Do que não se acha, do que se esconde
Para sempre.
Hoje sinto-me pintada de negro
Como um corvo que grita infinitamente
Aos meus ouvidos e me deixa surda.
Mas das cinzas virá a Fénix renascida
Com plumas coloridas e corpo delgado.
Pronta para voar ainda mais alto,
Pois é do alto que te vejo assim pequeno.
Vem acordar-me
Toca-me com os teus lábios soltos
Mostra-me que o despertar
É melhor que o sonho ido
E que a realidade está ao
Alcance dos meus sentidos.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Será que subi demais?
Se ao menos te pudesse contar
A história que tantas vezes me
Acompanhou
Se pelos menos ouvisses algumas
Palavras
Levarias a sério esta doida
Loucura
Tão a sério, que serias louco
Se não te desses um pouco.
Tu és estranho
E a estranheza estranha-se
Como uma roupa que se veste
De outro alguém.
És frio como uma pedra solta
Perdida no meio de uma praia
Deserta.
Tu és ninguém e por isso mesmo
É tão fácil riscar o teu nome,
Porque na realidade nunca
Te chamei.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Já imaginei ser o ar
Cobrir-te de suave brisa
Para que flutues em sonhos
E te deixes de racionalismos
Já imaginei que o tudo isso
Não passou do tudo-nada
Que acordada estaria melhor
Do que a sonhar no vazio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010







Perdoa-me se entrei no teu mundo,
Acordei-te sem querer, mas queria.
Pecado meu desejar-te tanto e
Sentir-me bem com tão pouco.
São os olhos que me cegam
Porque o coração, esse vive
Transloucado, do avesso,
Às cambalhotas, encostado à porta,
À espera que o deixes espreitar.

domingo, 18 de abril de 2010

Já deixei o pensamento voar
Para quê mantê-lo engaiolado
Preso a uma visão tranquila
De sonho de felicidade suprema?

Ele que regresse, se quiser
Que venha feliz, disposto
Que eu dar-lhe-ei tudo de mim
Até aquilo que eu não sei
Mas certa que descobrirei.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Queria dizer-te coisas
Mas saem-me ecos mudos
E o tempo passa aqui
Dizendo-me adeus...
Não, espera, não vás!
Quero-te por inteiro,
Com ou sem palavras.
Falaremos a nossa língua
De dentro para fora
De fora para dentro
E tantos ecos surgirão
Que dizer-te coisas
Só o faria de coração.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tu que me olhas desafiante
Fazes arder o pó do meu desejo
Curvas-me ao som triunfante
Daquele ansioso beijo

Deixas-me perdida, tonta
Numa roda de vontades
Amarras-me o peito à boca
Arrancando-me a verdade

Já te disse que te quero?
Chuva que me tocas
Descobre da alma
As imperfeições do ser
Deixa que me faça
Perfeita no sentido
Desalinhado de mim
Mandem os deuses
A conta deste desvario
Eu sou aquilo que sei ser:
Amor

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Trata-me como uma estranha
Eu vou procurar abrigo
Esconder-me dos silêncios
Que me engasgam as palavras
Vou deitar-me na neblina
Socorrer-me de um abraço meu
E adormecer no recheio da floresta

terça-feira, 13 de abril de 2010

Se soubesse ao menos que há
Aquilo que espero que haja
Dentro de um haver maior
Esta existência havia de ser
Mais do que uma experiência
A essência de um bem-haja
Maior do que um haver de ser
Pois por ser já seria bem melhor
Deixei a janela aberta
De braços extensos
À vontade de entrar
Não vi o sol nem a lua
Ontem foi um dia vulgar
Valeu-me o corpo a deambular
Em sonhos que hoje irei recordar

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Olho-te da esquina
Será que me viste espreitar?
Só quis olhar, sem roubar.
Só quis ver, sentir.
Será que me ouviste fugir?
Tive medo de a apagar,
Essa tua luz, esse meu luar.

domingo, 11 de abril de 2010

Agarra-me de novo
Tenho vaga memória
E o meu corpo gela.
Desalinha-se o eixo,
Dá-me a virtude do
Teu abraçar.
Se ao menos sonhasses,
Como é bom só de pensar.

sábado, 10 de abril de 2010

Solta-se a brisa
E canta o eu
Apaixonado
Entretido
Emoldurado
Num quadro
Quase pintado
De Primavera.
E se sonhássemos esta manhã?
Pintávamos as nuvens de um
Transparente azulado
E deixávamos o sol brilhar.
Arrebatávamos o sonho à noite
E fluíamos instantes de ternura
E aconchego.
E se sonhássemos outra vez,
ou duas, ou três?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Melífluo é o que trazes na alma
Concentrado indefinido
Compactado nas características
Dessa personalidade outonal
Entre o amarelado doce
E o castanho intenso
Entrego-me ao que sei imenso
Do teu lado mais avesso
Ao ponto final...
Deixo, então, a vírgula
Para ousares as palavras.

Melífluo, dizes tu...