Se acreditamos que basta um olhar, não há palavras mas inspirações desse olhar...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A ti, coração,

Peço-te que desaceleres o passo para que eu te possa acompanhar por um instante e contar-te aquela história que tens evitado ouvir. Bates tão forte, que nem um tambor afinado conseguiria tocar-te, de tão alto que te elevas. Escuta-me com atenção, porque nem sempre as minhas palavras são adequadas aos teus ouvidos e, mesmo cantadas, não tenho certeza que acompanhes a minha melodia. Tem calma. Respira. E procura encontrar-te em ti, como se da busca de uma essência milagrosa tudo isto se tratasse. Não te prometo que a encontres de imediato, que possas conhecer essa desencantada felicidade que, sem querer, mandaste embora. Mas talvez a possas reconstruir, nota por nota, palavra por palavra, verso por verso, até chegares àquela parte onde tudo se completa…
Não desanimes!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Deixo verter a tinta
Neste quadro borrado
Que pela água se limpa.
Deixo escorrer a tinta,
Das palavras que perco
Lentamente da memória.
Dou por mim sem matéria
Iludida ou desiludida,
Antes, desencantada
À procura de um olhar...